Arquivo | dezembro, 2010

Quem são os pais de Jesus?

26 dez

Em homenagem ao Natal, vou contar hoje uma história que eu adoro, sobre uma amiga, completamente MALUCA,  que até os trinta e poucos anos de idade não seguia nenhuma religião.

Tícia é alegre, alto astral, lindona, inteligente, esportista, bem sucedida profissionalmente. Tinha uma vida feliz, mas buscava, além da tampa de sua panela, uma fé para professar.

Com o apoio de amigos, frequentou o Santo Daime, Igrejas Evangélicas, Centros Espíritas e Templos Budistas, mas acabou se identificando mesmo com a Igreja Católica.

Tícia ficou encantada com os efeitos de sua nova religião em sua vida e decidiu se converter ao catolicismo.

Para aprender mais sobre os preceitos cristãos e se batizar na igreja católica, Tícia começou a fazer o curso de catequese.

Curso díficil, com perguntas de alto nível, feitas para testar a fé e determinação dos catequisandos.

Numa das primeiras aulas a catequista pergunta a Tícia: “Quem são os pais de Jesus?”

Tícia, que tinha conhecido Jesus há muito pouco tempo e ainda não tinha sido devidamente apresentada a sua família, respondeu:

–  “João e Maria.”

Depois que a catequista explicou a Tícia, que João e Maria são os irmãozinhos, filhos de um pobre lenhador, que ficaram perdidos na floresta e foram parar na casa de doces da Bruxa, apresentou os pais de Jesus, Maria e José.

Hoje devidamente familiarizada, Tícia segue sua nova religião de forma exemplar, foi batizada, fez primeira comunhão e crisma. E encontrou o equilíbrio espiritual que estava buscando, enquanto permanece terrenamente DESEQUILIBRADA.

Bosque Alemão/Curitiba: tem a trilha ecológica que conta a história de João e Maria

A 31ª Filha

23 dez

Dando continuidade a história anterior, em todas as audiências que tive do Sr. Mévio, foram 4 ao total, ele  foi acompanhado da sua 31ª Filha, que vamos chamar de Caia.

Essa é definitivamente uma das nossas, louca de pedra. Nós duas nos identificamos desde o primeiro momento.

Caia, tem uns 20 anos, é mais ou menos do meu tamanho (para quem não me conhece, não muito alta… nenhum pouco alta, mais precisamente) e como dizem que toda baixinha é brava, eu tive medo dela quando a vi. Talvez por ela ter todos os dedos das mãos tatuados, tenha contribuído um pouco pra isso. Mas já nos nossos primeiros minutos de conversa eu percebi que ela é tão querida quanto o pai e depois de ver a maneira como ela cuida dele, percebi que ela é ainda mais doce.

Seu grande sonho, talvez algo a ver com genética, é ser perita do IML (filha de coveiro…). Ela já estuda enfermagem, e se empenha pra ficar a par de todas as notícias do mundo policial e das tragédias em geral, de preferência com vítimas fatais.

No dia do acidente do ônibus ligeirinho que perdeu o controle e invadiu as lojas Pernambucanas (tem uma leitora nossa que adora o nome dessa loja – louca!!!), Caia estava passando na frente, saiu sã e salva e ainda viu todas as vítimas ensanguentadas para o seu deleite. (ela ligou pra me contar)

Na época da nossa primeira audiência estava na rolando um e-mail pela internet com fotos das vítimas de uma rebelião que teve num presídio da região metropolitana de Curitiba, que eu inclusive tinha achado que era montagem, e como ela conhecia alguém que trabalhava lá, estava me contando os detalhes da rebelião e confirmou que as fotos eram verídicas.

Eu fiz um comentário qualquer sobre a crueldade das fotos e ela me explicou que só foram assassinados os duques e alcagoetes. Ai eu perguntei o que era Duque. Ela me explicou pacientemente que no mundo do crime duques são os estupradores.**

E assim seguiram nossas conversas, com a Caia me contando histórias e eu perguntando, “o que é isso?”.

No nosso segundo encontro, segunda audiência, eu expliquei para eles (pai e filha) os detalhes do processo, tirei dúvidas de direito do trabalho e previdênciário, direito administrativo, constitucional e outros assuntos jurídicos que entraram na nossa pauta. Depois de tudo devidamente comprendido, eu e Caia, voltamos a falar do que nos interessava, assuntos não jurídicos em geral.

No meio da nossa conversa ela faz um comentário corriqueiro sobre a bicicleta light, e eu lanço a vigésima pergunta do dia: “Caia, o que é uma bicicleta light?”

Caia me olha, não sei brava ou com dó, fica em silêncio por uns dez segundos e fala: “Nossa Doutora Juliana, você não sabe quase nada da vida né?!” 

Depois desse comentário, eu não conseguia mais parar de rir, enquanto isso Caia foi me interrogando e listando uma série de coisas da vida que eu não sabia e que precisava aprender.

Bicicleta Light

**Nota informativa: Cheguei no escritório comentei com alguns dos meus colegas advogados, sobre o termo Duque e fomos descobrir a etimologia da palavra. Olhamos no Código Penal e descobrimos que o artigo do estupro é o 213, e por isso eles chamam os estupradores de “duque treze”, para os íntimos: “Duque”.

O Coveiro

22 dez

Oi Pessoal,

Não, eu não abandonei o blog!

Estou apenas fazendo pesquisas de campo e colhendo novas histórias para contar aqui.

Não que eu precise de ir atrás de gente louca pra colher informações. O esquema é ficar parada e atenta, porque pessoas loucas se atraem e onde quer que eu vá eu sempre consigo uma boa história.

Minha última audiência desse ano, por exemplo, foi com um Senhor de 62 anos de idade, coveiro do cemitério municipal de uma cidade próxima a Curitiba. Ao contrário das imagens de filmes de terror que nos vem a mente quando imaginamos um coveiro, esse Senhor é um fofo, daqueles com quem a gente tem vontade de passar horas conversando.

E para minha sorte ou azar, essa nossa audiência atrasou mais de 3 horas. E nesse período, pude praticar uma das minhas habilidades que poucos conhecem, OUVIR.

Recebi vários conselhos e fiquei impressionada com uma história de vida interessantíssima, por isso decidi dividir com vocês.

O Sr. MÉVIO, é muito alegre, daquelas pessoas que falam sorrindo, mesmo quando me contou todos os detalhes das transferências dos restos mortais para os saquinhos plásticos depois dos 5 anos de vida eterna.

Apesar de completamente analfabeto, tem uma inteligência emocional inacreditável, que parece ter sido aprendida naqueles livros de auto-ajuda.

É casado com Senhora Mévia, que hoje tem 52 anos de idade e vivem juntos há 40 anos, tiveram 31 FILHOS!!!!!!!!

Sim,  vou repetir TRINTA E UM FILHOS!!!

Eu perguntei: “Um por ano Seu Mévio?” Ele me explicou sorrindo: “Nãoooo. As vezes era mais de um.” – lógico… uma gestação só dura 9 meses… e também tiveram alguns gêmeos.

Receita do Sr Mévio para um bom casamento: “Só se deve casar por amor. E se for pra viver discutindo é melhor separar, ninguém precisa viver assim.”

Nunca traiu a Senhora Mévia, que até hoje, depois de 40 anos de casada, ainda sente ciumes dele.

Moram em casa própria, ela nunca trabalhou, porque ele é homem da casa.

E SIM!!! Eles têm TV em casa.

 

Presente de Menino

16 dez

Pra ninguém achar que só eu consigo a façanha de pagar mico em festa de criança, vejam só o que essa mãe aprontou:

Mévia é uma mãe moderna, daquelas que conseguem ser além de uma excelente mãe (de um casal de filhos lindíssimos), uma ótima profissional, uma dona de casa exemplar e uma esposa linda e gostosona pro maridão.

Dentre tantas atribulações, assumiu também a de fazer um pequeno estoque de presentes para as festas de aniversário dos amiguinhos dos filhos.

Em certa ocasião, depois de um dia corrido de trabalho, pegou as crianças na escola e passou em casa para que todos trocassem de roupa, para o aniversário do amiguinho da escola do filho, que estava fazendo 5 anos de idade. Pegou um dos presentes do seu estoque que já estava embrulhado e sairam.

Chegando lá, o filhinho entregou o presente para o seu amigo, e os dois sairam correndo para um canto onde estavam outras crianças, e o amiguinho, como num daqueles aniversários à moda antiga, foi abrir o presente (hoje só se abre depois da festa – ainda bem que não sou mais criança…).

Todas as mães conversavam numa mesa e eis que o Amiguinho chega correndo para agradecer Tia Mévia pelo presente:

– Tiaaaaaaaaaaaaaaaaa que legal!!!!! Nunca ninguém me deu uma Barbie…

Logo atrás chega o filho:

– Mãe, que vergonha!

Mévia jurava que dentro da caixa estava o Max Stell, que provavelmente ela deu em outro aniversário, para alguma amiguinha que só abriu o presente no final da festa.

 

 

A Festa do Henrique

15 dez

Estou com muita inveja das minhas amigas malucas que têm suas vidas relatadas aqui e resolvi contar uma história minha dessa vez.

Para vocês entenderem a origem dessa minha loucura, preciso explicar que no segundo semestre desse ano eu devo ter batido o récorde mundial de presença em festas infantis e chás de fralda. Adoro!!!

Conheci tantos buffets infantis, joguei tanto pebolin e comi tanto brigadeiro que para queimar essas calorias extras que adquiri, tive que nadar a distância equivalente ao canal da mancha, 33 mil metros, nesse último mês (em breve posto o certificado pra comprovar essa minha saudável loucura) .

Um desses aniversários era do Henrique, filho da Má, minha amiga desde o pré I (acreditem!!). Como ela estava morando no interior de São Paulo, me mandou o convitinho da festa de 01 aninho, que seria aqui em Curitiba, por e-mail, e eu agendei todos os dados nos meus arquivos mentais.

Além de ser muito boa de memória, tenho outro dom divino que é de ser muito localizada na cidade. Embora não saiba o que é direita e esquerda, sei chegar em qualquer lugar da cidade, desde que não tenha que cruzar BR’s. Essa habilidade devo às muitas horas que passei na Kombi e ônibus do colégio, que percorriam toda cidade (menos BR’s). 

Então… visto o mapa do convitinho semanas antes, eu já sabia direitinho onde ficava o buffet do aniversário e nunca mais olhei o convite.

Num certo sábado de julho, como de costume, pratiquei todo o ritual de preparação para aniversários infantis, que consiste apenas em acordar e permanecer em jejum para poder se esbaldar nas guloseimas da festa.

Cheguei lá, morrendo de fome e logo de cara simpatizei com a decoração da Branca de Neve e os 7 anões. Achei um pouco feminino, mas como num outro aniversário que fui, de meninas, tinha decoração das princesas e um Homem-Aranha animando a festa, não tive preconceito com a Branca de Neve, para os meninos.

Cumprimentei simpaticamente todas as pessoas que estavam na entrada, e antes de cumprimentar o aniversariante, fui guardar o presente na caixa que estava pra dentro do salão. Quando já estou colocando o presente pra dentro, olho pra parede estava escrito em letras garrafais e coloridas: LIA.

Eu viro para pessoa mais próxima e pergunto: “Cadê o Henrique?????” 

E a pessoa: “Quem é o Henrique??”

Eu: “O aniversáriante!”

Ela: “A aniversariante é a Lia.”

Eu chamo o moço do buffet pra reclamar: “Moço, é hora do aniversário do Henrique! Quem é essa Lia?”

Ele sem saber que eu sou a pessoa mais bem localizada da cidade diz: “O aniversário do Henrique deve ser em outro lugar.”

Simplesmente olho com desdém…

Indignada, ligo para casa da família, pra avisar que a festa tinha sido invadida. Atende o avô do Henrique:

– Tio, é a Ju. Onde vocês estão?

– Em casa. (óbvio, eu tinha ligado na casa)

– Ah tá. E o Aniversário?

– É amanhã.

– Ahhhhhh. Então tá, até amanhã.

Saí da festa da Lia, morrendo de fome, e não me despedi dos amigos que havia feito quando cheguei. 

Voltei no dia seguinte, achando que a minha confusão tinha passado despercebida na ligação, mas quando cheguei na entrada já fui recebida às gargalhadas pela família do aniversariante.

A notícia se espalhou no universo infantil, e hoje recebo convites especiais, com especificação do dia da semana que cai a festa.

 

O Balde

13 dez

Caia conheceu seu namorado na faculdade, já estavam juntos há uns 6 meses até que chegou o grande dia de ser apresentada para os pais do gato, em um jantar na casa da família.

Tempos modernos, Caia já saiu de casa com a sua mochilinha para dormir lá depois do jantar, dentro dela estava além dos produtos de “faxina pessoal”, sua camisolinha preta comportadamente sexy. 

Apesar de não deixar transparecer, Caia estava um pouco nervosa,  afinal dormir pela primeira vez na casa do namorado e conhecer os sogros, não é uma tarefa comum. Tudo tinha que ser impecável para não ser reprovada nessa etapa do relacionamento: comer pouco, falar pouco, não dar bola fora, não fazer nada que prejudicasse sua imagem.

O jantar transcorreu as mil maravilhas, a comida estava deliciosa e Caia se fartou. E como não podia ser diferente, já que Caia além de linda, é inteligente, bem humorada e um doce de pessoa, foi de imediato aprovada pelo Sogro e pela Sogra.

Passada a tensão e terminada a comilança que se extendeu até altas horas, todos foram dormir.

No meio da madrugada, Caia começa a sentir mal, mas ignora, pois se tem uma coisa que Caia não admite, é fazer o “número 2” em outro lugar que não seja o banheiro de sua casa.  Tenta voltar a dormir, mas a situação se torna incontrolável e Caia ve a necessidade de infringir um de seus mandamentos sagrados, não fazer coco no banheiro alheio. Sem acordar o Gato, levanta em silêncio e vai até o banheiro resolver o seu piriri.

Problema resolvido, quando Caia vai dar a descarga, para sua surpresa, não está funcionando.

Momentos de pavor… até que Caia retoma o controle da situação e sai para os fundos da casa procurando um balde. Anda pelo território desconhecido até que o encontra.

Quando chega no corredor onde ficam os quartos da casa e o banheiro que ela tinha acabado de interditar, uma pessoa vem se aproximando pela direção oposta. Ele olha aquele ser de camisola preta com um balde na mão e entra correndo no banheiro.

Caia desesperada, corre para a lavanderia nos fundos da casa, joga o balde de qualquer jeito e volta correndo para cama.

No dia seguinte, durante o café da manhã, Caia é apresentada para o irmão mais novo do seu namorado que tinha chegado de viagem na madrugada (detalhe: ele era um espetáculo) . Ele a cumprimenta educadamente e ela quase morre de tanta vergonha.

Embora no dia seguinte, Caia tenha notado que a descarga havia sido consertada, enquanto durou o namoro, nunca nenhum membro da família fez qualquer comentário com Caia a respeito do episódio do balde.

Mas mesmo assim Caia segue até hoje com os seguintes mandamentos a respeito do número 2:

1) Não fazer coco no banheiro alheio;

2) Só durma em casa de pessoas que morem próximas a estabelecimentos comerciais com banheiros públicos (Shopping Center; Bares, Restaurantes);

3) Antes de usar um banheiro, se certifique de que a descarga está funcionando, se não tiver, procure o balde antes de iniciar os trabalhos;

4) Carregue um “Bom Ar” na bolsa.

 

O Porta-malas

6 dez

Inaugurando o 2º mês de blog, vamos acabar com a enrolação e voltar as tão esperadas histórias das nossas personagens.

Essa, quentíssima, foi narrada a um grande amigo meu, moço de família, que ouviu quase em estado de choque, o seguinte relato das próprias personagens:

As amigas Caia, Tícia e Mévia estavam numa baladinha quando avistaram de longe um certo alvo. Era um rapaz qualquer, razoavelmente bonito, sem nenhum atributo especial e ninguém sabe dizer por qual motivo, foi disputado pelas 3 naquela noite. O rapaz estava acompanhado por seu irmão mais novo, que foi renagado por elas.

Caia venceu a disputa e foi “pega” pelo Rapaz. Depois da escolha feita (do Rapaz), Tícia e Mévia, como se fosse uma obrigação, brigavam para não ficar com o irmão que sobrou (nenhuma das 2 queria). Mas, Tícia, muito solícita, resolveu mudar de opinião e acabou  dando uma chance para o Irmãozinho.

Enquanto Caia estava empolgadíssima com o Rapaz, um ser comum do universo curitibano, Tícia fez descobertas incríveis sobre o Irmãozinho, que era nada mais nada menos do que um corpo escultural, moldado pelos treinamentos da Escola Naval. Tudo isso anteriormente escondido debaixo da jaqueta jeans, tamanho GG, emprestada do irmão mais velho (o que estava com Caia), já que ele tinha acabado de chegar do Rio (sede da Escola Naval) e tinha sido pego de surpresa pelo frio curitibano.*

Já quase de manhã, clima quente entre os dois casais, os irmãos, safados, convenceram as duas amigas inocentes a irem pro motel. 

Irmãos universitários, classe econômica, para reduzir custos foi escolhida uma 1 suíte com 2 ambientes, e um casal tinha que entrar no motel escondido no porta-malas do carro para não pagar o excesso. O casal do porta-malas foi  Tícia e o Imãozinho Marinheiro.

No transcorrer dos acontecimentos Tícia foi literalmente descadeirada pelo Marinheiro, enquanto Caia, conheceu o menor, mas o mais eficiente brinquedinho que já tinha experimentado.

Na hora de ir embora, devido ao seu descadeiramento Tícia se recusou a entrar no porta malas do carro. E como Irmão mais velho, só tinha de tamanho “p” o seu brinquedinho, o que significava que o resto do corpo jamais caberia num porta-malas, os casais foram trocados. Enquando Tícia saiu no banco da frente ao lado do Rapaz, para confusão mental da moça da portaria do motel, Caia saiu confinada no porta-malas com o Irmãozinho espetaculoso.

Parace que até hoje as amigas têm dúvidas se naquele momento, uma se “aproveitou” do homem da outra.

 

*NOTA: Mévia se deu bem com algum integrante de outra família, mas foi embora para casa dirigindo o seu próprio carro.

*NOTA 2: Embora todas tenham ficado felizes, as amigas não entendem porque disputaram o irmão errado.