Em homenagem ao dia do Arquiteto vou contar essa que aconteceu comigo na minha última visita ao Rio no mês de setembro desse ano.
Era dia se semana, todos trabalhando e eu combinei de almoçar com minha amiga Mévia (que não via há mais de um ano), no centro do Rio.
Quase na hora do almoço, fato comum dos habitantes locais, Mévia me ligou para falar que estava bem atrasada e que certamente chegaria mais para o final da tarde.
Fui então matar meu tempo no Saara (equivalente a Rua 25 de março de São Paulo).
Atendendo todas as encomendas de bugigangas que me haviam sido feitas, me transformei num ser muambeiro carregando muuuitaasssss sacolinhas pretas que continham, uns 3 kg de elásticos de cabelo, tic-tacs, piranhas de cabelo, necessaire, rodinho de pia, bijouterias, sombrinhas com foto do Cristo Redentor, enfim, todos esses itens de primeira necessidade que se compra em “avenidas comerciais” desse estilo.
Mais ou menos umas 5 horas da tarde Mévia chega no nosso ponto de encontro, próximo ao prédio onde ela tinha uma entrevista de emprego.
Mévia é arquiteta e apesar de ser linda também, não se parece nem um pouco comigo, é um pouco mais nova do que eu, mas em razão da minha carinha de baby, óbvio que nem parece.
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Pausa para uma nota explicativa: Prezados Leitores, perdoem meu excesso de “falta de modéstia” na descrição comparativa das personagens, mas tudo isso faz parte do tratamento para os problemas psicológicos que esse fato me causou.
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Apesar da fome, antes do nosso almoço, fomos para a entrevista de Mévia. Subi com ela no milionésimo andar do prédio e minha intenção era ficar esperando na recepção enquanto ela era entrevistada em algum lugar reservado do escritório de arquitetura.
Tocamos a campainha, abre uma Senhora arquiteta, que é a própria entrevistadora. E ao adentrar no local nos deparamos não com uma recepção, mas com a própria sala de reuniões, com uma mesa enorme cheia de cadeiras em volta.
Mévia se apresenta e em seguida me apresenta: “Essa é minha amiga Juliana.”
Eu percebo que a entrevista vai ser exatamente naquele local e peço licença para mim e para minhas 50 sacolinhas do Saara, para descer e esperar no hall do prédio. Mas a entrevistadora, praticamente me mandar ficar. Como sou obediente, fiquei.
Sentamos todas na mesa de reuniões (a entrevistadora, Mévia, eu e as 50 sacolas pretas) e enquanto Mévia era entrevistada eu só pensava se estava certo aquela sala de reuniões no lugar da recepção.
Imaginei Mévia trabalhando ali, fechando um contrato importante com um cliente VIP e o estagiário chegando no meio da reunião com uma caixa de esfihas do Habib’s, ou, pior, comendo um pacote de Cheetos Bolinha e infestando a sala de reuniões com cheiro de vômito…
Como não entendo nada de arquitetura, me recolhi na minha insignificância e fiquei ali tentando fazer cara de árvore para não atrapalhar minha amiga e certa de que devia haver uma entrada de serviços para o estagiário (podia ser uma escada pendurada para fora do prédio).
Entrevista concluída, pelo que senti arrasamos e a vaga certamente era nossa (naquele momento eu estava me sentindo uma equipe de arquitetas).
Fomos almoçar, as 5:30 da tarde, rimos muito da situação e ficamos aguardando o resultado da nossa entrevista.
Nunca ligaram pra Mévia, nem pra falar que ela não tinha sido aprovada, como haviam prometido.
Depois de um mês mais ou menos da data da entrevista, uma outra amiga nossa, que também é arquiteta e que trabalha com a dona do escritório onde Mévia fez a entrevista, ficou sabendo o porquê da não aprovação.
A Entrevistadora disse que não podia contratar Mévia porque ela tinha levado a MÃE para fazer entrevista com ela.
Mãeeeeeeeee?????????????????????????????????????!!!!!!!!!!!!!!!!
Só podia ter vindo mesmo de uma arquiteta que coloca a sala de reuniões no lugar da recepção…
Hoje Mévia trabalha num escritório que tem uma recepção espaçosa e muito bem decorada e uma sala de reuniões linda e reservada.
Não sei se Mévia me odeia, porque de certa forma a fiz perder aquele emprego, mas eu tenho minha consciência tranquila por ter impedido ela de sujar o currículo naquele escritório de ambientes equivocados.

Cobogós Chiquérrimos do Nobre e da Dani - interessados acessem: http://www.elementov.blogspot.com/
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